História Completa da Paróquia Nossa Senhora Divina Pastora

INTRODUÇÃO

Este pequeno relato histórico retrata a origem da paróquia de Junqueiro, Nossa Senhora Divina Pastora. Suas raízes advém perto de uma ribeira, onde se costumava colher juncos para material artesanal, que de fato deu origem logo mais numa capela em dedicação a imagem que foi encontrada.
Desse modo, aparece num pé de ingazeira a imagem de N. Senhora Divina Pastora, que mais tarde foi cultuada com uma dedicação de uma capelinha que tornou-se a paróquia de Junqueiro, terra dos juncos. Por lá, passou 20 párocos e 10 cooperadores que auxiliavam nesta grande labuta.
Segundo alguns moradores e devotos de Nossa Senhora Divina Pastora, essa terra de Junqueiro, em sua grande parte, pertencia a toda a paróquia. O mais importante disso, é que muitos padres fizeram grandes festejos para honrá-la. Grande participação que houve nesse período, foram os dois grandes colégios do município: o Colégio Nossa senhora Divina Pastora e o Grupo Escolar Padre Aurélio Góis, estes foram frutos do trabalho religioso de muitos padres como o Pároco padre Aurélio. Junqueiro, de fato, sempre surpreendeu seus moradores e seus vizinhos por ser uma cidade tranquila, chamada de santuário e sanatório como lema de sua bandeira.

A Cidade dos Juncos

A razão para a sua denominação é a quantidade considerável de plantas herbáceas, os juncos, no terreno onde surgiu o núcleo primitivo, próxi¬mo a uma lagoa. Os juncos são usados para a confecção de objetos utilitários, como esteiras e objetos trançadas. Com o aparecimento de um pequeno pólo artesanal na área, o local foi chamado de Junqueiro até sua oficialização como unidade municipal independente.
Os primeiros habitantes do lugar foram Izabel Ferreira e sua família, cerca de 17 filhos, que contraíram ma¬trimónio e se fixaram no povoado. Uma das filhas de Izabel casou-se com um ho¬mem chamado Thomaz, natural de Sergipe, que depois ficou conhecido como Pai Félix. Os demais membros da família foram incentivados por Thomaz a cons¬truírem casas e cuidarem da lavoura.
Inicialmente, por determinação da Lei Provincial n° 812, de 21 de junho de 1879, o povoado pertenceu à jurisdição de Limoeiro de Anadia. Na época, pos¬suía uma capela da Divina Pastora e um cemitério com capela de São Sebastião. Foi elevado a Distrito pela Lei Provincial n° 956, de 13 de julho de 1885. A criação do município se deu em 15 de junho de 1903, pela Lei n° 379, tendo sido instalado em 31 de janeiro de 1904. Mas, através do Decreto 1.619, de 23 de feverei--ro de 1932, foi suprimido e novamente anexado a Limoeiro. Entre 1932 e 1947 foi restaurado e suprimido outras duas vezes. Foi definitivamente emancipado
pelo artigo 6° das Disposições Transitó¬rias da Constituição Estadual de 1947.
Judicialmente, foi termo da Comarca de Coruripe em 1931. Em 16 de setem¬bro de 1935, seu termo foi transferido para a Comarca de Anadia. Enfim, em 17 de setembro de 1949 foi elevado à ca¬tegoria de comarca.
Sob o aspecto religioso, conta-se que Pai Félix (Thomaz) encontrou em pleno mato, no tronco de um ingazei-ro, uma cruz, tendo em um dos braços uma pequena imagem da Divina Pastora, Então ele colocou a cruz perto da árvo¬re e erigiu um nicho. Depois construiu uma capelinha. Mais tarde nesse local foi edificada a Igreja da Divina Pastora, que se tornou padroeira da cidade. Em 3 de setembro de 1912, foi fundada a Paró¬quia de Nossa Senhora Divina Pastora, através de um Decreto de Dom Manuel Antônio de Oliveira Lopes, então bispo da Diocese das Alagoas. Atualmente, a paróquia está sob a jurisdição eclesiástica da Diocese de Penedo, que tem à frente Dom Valério Brêda (SDB).
Hoje a cidade de Junqueiro está com aproximadamente 24.460 habitantes, seu clima é quente-úmido. Seus munícipes abrangem uma área muito vasta, onde em alguns deles temos capelas pertencentes à Igreja Matriz Nossa Senhora Divina Pastora que chegam ao total de 23 capelas assistidas pelo seu vigário padre José Valdenice da costa. Este natural de Anadia veio pastorear o rebanho do Senhor, sua origem muito simples e virtuosa, dedicado aos estudos científicos como Administração, enfermagem, Direito, sua formação foi religiosa da congregação dos Camilianos de são Camilo e atualmente atua como padre diocesano na paróquia de Junqueiro.

EREÇÃO DA PARÓQUIA DE N. S. DIVINA PASTORA DE JUNQUEIRO-AL

D. MANOEL ANTÔNIO DE OLIVEIRA LOPES, por mercê de Deus e da santa sé Apostólica, Bispo de Alagoas etc.

Pela presente nossa provisão, atendendo ao maior bem espiritual da população do arraial de Junqueiro, pertencente à paróquia de Limoeiro de cuja sede dista sete léguas, tornando-se, portanto difícil ao respectivo pároco amparar convenientemente o pasto espiritual desta parte de seu rebanho, atualmente bastante crescido, e do qual o progresso material já se revela notável, tendo a desenvolvimento maior em futuro quiçá em remoto.
Havemos por bem desmembrá-la da mencionada freguesia do Limoeiro erigindo-a em paróquia, como de fato a erigimos sendo seus limites os seguintes:
AO NORTE - limita-se com a paroquia de Limoeiro, começando da barra do riacho Tamanduá até sua nascença; dai em diante linha reta, até
a nascença do riacho Piauí, seguindo dai pela estrada que vai ao riacho Pirucaba na passagem do Pau-darco.
AO POENTE - limitá-se com a paróquia de Colégio, pela estrada que vai da passagem do Pau-darco ao sítio Poço do Boi, Mumbaça, Cariri e Flexeiras. Com a paróquia de Igreja Nova, limita-se ainda ao poente pela mesma estrada, que passa no sítio Cana Brava e desce no riacho Pirucaba e descendo por este riacho até encontrar a estrada do Matão à Igreja Nova. .
AO SUL - limita-se ainda com a paróquia de Igreja Nova pela estrada do Matão que passa no sítio Chiqueiro e vai encontrara o riacho
Piauí. Com a paróquia de Coruripe, subindo pelo riachoPiauí até a passagem do Remígio, daí segue pela estrada de Água de Meninos até o sítio Mangueiras, dai segue pela estrada velha do Tabuleiro do Rosário até encontrar a estrada de Gulandim e por esta segue até o sítio Gulandim.
AO NASCENTE - limita-se ainda com a paróquia de Coçuripe, pela estrada que vem do sítio Gulandim, para o Engenho Mateus ate comfrontar a cabeceira da gruta do Mateus. Desce pela mesma gruta até a lagoa de Dentro no rio Coruripe a encontrar a barra do riacho Água Fria e subindo por esta à estrada do Sal.
Limita-se ainda ao Nascente com a paróquia de S. Miguel desde este ponto até o sítio Chapéu de sol pela estrada do Sal, e com a paró¬quia de Limoeiro do sítio Chapéu de Sol, descendo pela estrada das Urtigas até o rio Coruripe e subindo por este à barra do riacho Tamanduá.
Em consequência dos presentes limites a paróquia de Junqueiro ficará com acapela do mesmo nome e a de Cambuí e os sítios Chapéu de Sol, Urtigas, desmenbrados da paróquia de Limoeiro, bem como os demais territórios compreendidos na presente limitação.
Ficará também com as capelas de Salomé e Gameleira e os sítios Cana Brava e Chiqueiro, desmenbrados da paróquia de Igreja Nova, Ficará finalmente com uma parte do território da paróquia de Coruripe, cujos limites entre ambas freguesias, são as seguintes: Da estrada do Matâo no rio Piauí até a passagem do Remígio no mesmo riacho Piauí, e daí segue pela estrada de Agua de Meninos até o sítio Mangueiras e daí pela estrada velha do tabuleiro do Rosário até encontrar a estrada do Gulandim e em seguida a gruta do Mateus, Lagoa de Dentro, riacho Água Fria até a estrada do Sal, e por esta vai limitando-se com a freguesia de S.Miguel até o sítio Chapéu de Sol.
A Matriz da nova paróquia será a capela existente no referido arraial de Junqueiro que tem por titular a S.S. Virgem Mãe de Deus sob a invocação de "Divina Pastora", com todos os privilégios e prerogativas que por direito gozam as Igrejas Matrizes, devendo em consequência ser provida de todos os ornamentos e alfaias que se fazem mister para o serviço do culto divino e bem assim de Pia Batismal e de sacrário para conservação do SS. Sacramento, diante do qual arderá dia e noite uma lâmpada, que deverá ser alimentada com óleo de oliveira, ou na falta deste com qualquer outro vegetal, precedendo para isso licença nossa.

Mandamos que a festa do Orago seja celebrada com a maior pompa e bem entendido espírito de piedade; no dia indicado do calendário da Diocese. Aos fiéis da nova paróquia exortamos a que promovam a possível brevidade os melhoramentos que exige a dita capela, ora erigida em Matriz, afim de que não sofra detrimento o serviço do culto, cujo esplendor deve ser um dos primeiros cuidados a trabalhar o espírito cristão do povo na manifestação pública de sua fé.
Concluído o concerto da nova Matriz, ordenamos que seja imediatamente reorganizado o patrimônio existente, cuja renda será aplicada no custeio das despesas ordinárias do serviço do culto e em (beneficio das necessidades futuras da mesma Matriz. Por fim mandamos aos fiéis residentes nos lugares que em força de nosso ato constituía (a paróquia da Divina Pastora de Junqueiro consoante aos limites supra mencionados, sob penas ao nosso arbítrio, reconheçam e obedeçam como seu legítimo pastor ao pároco que por nós for nomeado, e o amem e o acatem, ouvindo seus conselhos e a palavra de Deus, que ele deverá anunciar aos domingos e dias santifiçados
Cinco cópias serão extraídas desta nossa provisão de ereção canónica para serem enviadas aos Revmos. Párocos do Limoeiro,Colégio, Igreja Nova, Coruripe e S. Miguel para os fins convenientes. Esta será lida a estação da missa paroquial, registrada no livro do tombo e conveniente arquivada para todo tempo constar.
Dada e passada na paróquia de Igreja Nova, em Visita Pastoral aos 3 de Setembro de 1912.


Manoel - Bispo de Alagoas

Junqueiro, 12 de Dezembro de 1912

Vigário - Daniel Bezerra da Costa

PEQUENO RELATO DA ORIGEM DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DIVINA PASTORA DA CIDADE DE JUNQUEIRO


De parabéns, pelo seu aniversário, no próximo dia 03 de setembro, 100 anos de caminhada, de evangelização.
(...) D. manoel António de oliveira lopes, por mercê de deus e da santa sé apostólica, bispo de alagoas..., atendendo ao maior bem espiritual da população do arraial de junqueiro pertencente a paróquia do limoeiro... havemos por bem desmembra-la da mencionada freguesia do limoeiro, erigindo-a em paróquia... dada e passada na paróquia de igreja neva, em visita pastoral, aos 03 de setembro de 1912. manoel - bispo de alagoas.
casualmente, numa das livrarias de maceió, descobri a data da criação da paróquia que me fez cristão, filho de deus na época, entrei em contato com seu administrador, pe. Murilo dos santos, e, juntos com a comunidade, comemoramos o evento, pela primeira vez.
guardei, na memória, aquele dia festivo da emancipação paroquial de junqueiro, aquela tarde alegre, bonita, de 03 de setembro de 1992. Era dia normal de trabalho, mas a comunidade se fez presente as comemorações de 80 anos de sua paróquia sob o orago de NOSSA SENHORA DIVINA PASTORA.
As associações religiosas, os movimentos pastorais, as escolas públicas e particulares, e a comunidade faziam a festa; sem banda de música, sem o tradicional zabumba das nossas raízes, mas o povo de Deus se encontrava na avenida principal, rezando, cantando e aplaudindo a nossa paróquia e a sua excelsa padroeira, Divina Pastora, sob o badalar dos sinos e o pipocar dos foguetes. E, assim, continuamos; com Pe. Niraldo, Pe. Marcelo e, agora, Pe. José Valdenice Costa, comemorando o aniversário da nossa paróquia, com mais simplicidade, mas sempre lembrando a comunidade que o seu centenário se aproxima. É bom lembrar que a paróquia de Junqueiro é mais antiga do que sua diocese (Penedo) que foi criada em 1916, por s. s. Bento XV.
Muitos sacerdotes já exerceram seu ministério, em Junqueiro, como párocos, vigários, administradores, cooperadores, substitutos, auxiliares... todos evangelizaram, pregaram a mesma doutrina, variando, apenas, quanto a metodologia. todos trabalharam, mas há aqueles que deixaram marcos indeléveis; Pe. Daniel bezerra da Costa, o pioneiro (1912-1915), organizador da paróquia como seu primeiro pároco; pe. Epifânio Rufino de Moura (1918-1922) e Pe. aurélio Celestino de Góis (1924-1937), os construtores da matriz; Pe. Aurélio continua o referencial da paróquia, através de as gerações, em vista da formação religiosa, cívica e social que transmitiu aos junqueirenses; frei paschásio ptok (1938-1942), missionário alemão, desbravador da paróquia, construtor de veredas, caminhos e atalhos, transformados, hoje, em estradas; construtor de muitas capelas, nas comunidades, em substituição aos seus oratórios privados no seu paroquiato, muitas vocações religiosas floresceram e se doaram a igreja a aos irmãos, por este Brasil afora; Pe. Pedro silva (1943-1946) abriu muitas escolas paroquiais, mantidas com dinheiro de leilões; inaugurou a primeira biblioteca de junqueiro (paroquial), hoje desativada; criou a conferência vicentina de santo Antônio dos pobres e fomentou o patrimônio da paróquia, em quantidade e qualidade, infelizmente, não foi conservado o que seria uma boa fonte de renda para a manutenção da paróquia.
mas voltando as suas origens, a criação da paróquia de junqueiro aconteceu, pela primeira vez, através de a lei provincial n° 812, de 21 de junho de 1879, absorvendo a paróquia de Limoeiro de Anadia, criada, anteriormente, pela lei 456, de 23 de junho de 1865. Depois de muita controvérsia, a paróquia de junqueiro voltou a pertencer a de Limoeiro e se tornou autónoma a partir de 03 de setembro de1912, comemorando. este ano 96 anos de caminhada, de evangelização.


Comentários sobre a história da Paróquia de Junqueiro pelo ex-seminarista, Profº. João Augusto Sobrinho

28/04/97 A10/05/97 SEMEADOR

Do Nicho à Matriz

Ontem, um pequeno nicho. E a história foi passando de geração ern geração... e, hoje, uma grande matriz.
Comentavam e comentavam os mais velhos junqueirenses que, no tronco de um ingazeira, os primeiros habitantes encontraram uma cruz e uma pequenina imagem de N. Senhora. Com muito zelo, carinho e muita fé, construíram um pequeno nicho - " Onde dois ou três estiverem reunidos em-meu nome, eu estarei no meio deles" - que, anos depois, foi substituído por uma pequena capela - capela de Santa Cruz. Com o reconhecimento e a divulgação de que a imagem era de N. Senhora Divina Pastora, a
veneração, respeito, a honra aumentaram e logo providenciaram a construção de uma outra capela maior
sob a sua invocação.
No dia 03 de setembro de 1912, D. Manoel António de Oliveira Lopes, Bispo de Alagoas, criou a paróquia de Junqueiro e seu primeiro vigário foi o Pé. Daniel Bezerra da Costa. O seu quarto vigário Pe. Epifânio Gomes de Moura, e paroquianos interessados resolveram demolir a capela-matriz, que já era pequena, e construíram a matriz atual. " O templo significa a presença de Deus no meio do seu povo",
No próximo 21 de abril, a nossa igreja paroquial completará 7O (setenta) anos de inaugurada por S. Exa. D. Jonas de Araújo Batinga, Bispo de Penedo, e o vigário da época, Pé. Aurélio Celestino de Góis, que concluiu a construção. " Esta igreja foi construída para vós, mas vós é que sois a igreja", Santo Agostinho.
Participando da missa em ação de graças, vamos comemorar a inauguração da igreja física; de pedra, tijolo, cimento, madeira, cal, areia ... onde se reúnem pessoas de fé para louvar o Senhor. A igreja viva, na sua essência, já existia e não há data fixa para comemorá-la porque ela brotou, naquelas plagas, naturalmente, como a rama brotou da cepa, do velho tronco do igazeiro; como o junco germinou, naturalmente, no Piauí, na lagoa e na ribeira.

 

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